Você esta aqui Página Inicial Institucional Participação Social Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) Notícias CNDH e indígenas da região Sul se reúnem para definir desdobramentos de relatório

Participação Social

Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH)

CNDH e indígenas da região Sul se reúnem para definir desdobramentos de relatório

19/05/2017

Povos indígenas Kaingang, Xokleng e Guarani, da região Sul do Brasil, reuniram-se na tarde desta quinta-feira (19) com o Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) para tratar dos encaminhamentos do relatório final do Grupo de Trabalho sobre os Direitos dos Povos Indígenas da Região Sul. A reunião contou com a participação do conselheiro Francisco Nóbrega, representando a Defensoria Pública da União (DPU), do assessor jurídico do Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Adelar Cupsinski, que coordenou as missões do GT, e do relator do grupo, Cristian Teófilo, da Associação Brasileira de Antropologia (ABA).

“Nós estamos sendo engolidos, mais uma vez, pelo massacre cultural”, declara Luiz Salvador, indígena do povo Kaingang, do Rio Grande do Sul, que menciona os retrocessos no Congresso, pautados pela bancada ruralista, e os atos de racismo praticados por parlamentares da bancada. Também ressalta que o povo indígena está organizado e que vai continuar resistindo. “Parece que o governo quer ver sangue derramado. Mais uma vez, o índio tem que ter seu sangue derramado para ter um pedacinho de terra para sobrevivência. Há muito tempo que a gente vem pleiteando. A constituição de 88 garante isso. Que o governo assuma de fato. Estamos prontos, organizados, vamos retomar nossas terras”, completa Salvador.

Enoque Popó, da etnia Xokleng, de Santa Catarina, informa que há 30 dias o cacique-presidente de sua aldeia sofreu um atentado e chama atenção para a discriminação e perseguição que sofrem cotidianamente. “Eu quero pedir, em nome dos Xokleng de Santa Catarina, que é a única existente em todo o Brasil, que os direitos humanos olhem para a nossa situação. Nós vamos enfrentar, não vamos arriar. O que era nosso, até um cemitério, onde estamos pedindo ampliação de nossa terra, nem isso é reconhecido”, lembra, alertando para a demora nos processos de demarcação.

A Secretaria Executiva do CNDH se comprometeu a reiterar as recomendações do relatório junto às instituições citadas. As recomendações vão desde agilidade nos processos de regularização das terras indígenas ao atendimento especial à saúde indígena. Conflitos fundiários, criminalização, atentados à vida de lideranças indígenas e atuação irregular de agentes federais também estão entre os temas que devem ser reforçados. A DPU também se comprometeu a reforçar as cobranças e acompanhar de perto as demandas dos indígenas da região Sul.

As missões e o relatório

Entre os meses de março e junho de 2016, o Grupo de Trabalho do CNDH sobre Direitos dos Povos Indígenas e das Comunidades Quilombolas da Região Sul realizou missões nos três estados do Sul do Brasil, que resultaram num extenso e detalhado relatório registrando as graves violações de direitos humanos contra indígenas da região Sul.

Acesse o relatório completo aqui: https://goo.gl/EduxGY

Compartilhar

Desenvolvido com o CMS de código aberto Plone